quarta-feira, 11 de julho de 2012

CHIMARRÃO

Chimarrão e poesia Jayme Caetano Braun O payador missioneiro Sente o calor do braseiro Batendo forte no rosto E vai mastigando o gosto Da velha infusão amarga, Sentindo o peso da carga Que algum ancestral comanda Enquanto o mundo se agranda E o coração se me alarga Sempre a mesma liturgia Do chimarrão do meu povo, Há sempre um algo de novo No clarear de um outro dia, Parece que a geografia Se transforma - de hora em hora E o payador se apavora Diante um mundo convulso Sentindo o bárbaro impulso De se mandar campo fora! Muito antes da caverna Eu penso - enquanto improviso, Nos campos do paraíso O patrão que nos governa, Na sua sapiência eterna E eterna sabedoria, Deu o canto e a melodia Para os pássaros e os ventos Pra que fossem complementos Do que chamamos poesia! Por conseguinte - o Adão, Já nasceu poeta inspirado, Mesmo um tanto abarbarado Por falta de erudição E compôs um poema pagão À sua rude maneira, Para a sua companheira, A mulher - poema beleza, Inspirado - com certeza Numa folha de parreira! Os Menestréis - os Aedos, Os Bardos - Os Rapsodos, Poetas grandes - eles todos, Manejando a voz e os dedos Vão desvendando os segredos Nas suas rudes andanças, As violas em vez de lanças, Harpas - flautas - bandolins, Semeando pelos confins As décimas e as romanzas! Tanto os poetas orientais Como os poetas do ocidente, Cada qual uma vertente, Todos eles mananciais, Nos quatro pontos cardeais Esparramando canções E - no rastro das legiões Do lusitano prefácio, A última flor do lácio Nos deu Luiz Vaz de Camões! No Brasil continental Chegaram as caravelas E vieram junto com elas As poesias - com Cabral, Para um marco imemorial Nestas florestas bravias Perpetuando melodias De imorredouro destaque: Castro Alves e Bilac E Antônio Gonçalves Dias! Neste garrão de hemisfério Quando a pátria amanhecia Surgiu também a poesia No costado do gaudério Na pia do batistério Das restingas e das flores E a horda dos campeadores Bárbara e analfabeta Pariu o primeiro poeta No canto dos payadores! E foi ele - esse vaqueano Do cenário primitivo, Autor do poema nativo Misto de pêlo e tutano, De pampeiro - de minuano, Repontando sonhos grandes; Hidalgo - Ramiro - Hernández El Viejo Pancho - Ascassubi Mamando no mesmo ubre Desde o Guaíba aos Andes! Há uma grande variedade De poetas no meu país, Do mais variado matiz Cheios de brasilidade, De um Carlos Drummond de Andrade Ao mais culto e ao mais fino, Mas eu prefiro o Balbino, Juca Ruivo e Aureliano, Trançando de mano a mano Com lonca de boi brasino João Vargas - e o Vargas Neto E o Amaro Juvenal, Cada qual um manancial Que ilustram qualquer dialeto, Manuseando o alfabeto No seu feitio mais austero, Os discípulos de Homero De alma grande e verso leve, Desde sempre usando um "breve" De ferrão de quero-quero! Imagino enquanto escuto Esse bárbaro lamento Que a poesia é o som do vento Que nunca pára um minuto, Picumã vestiu de luto A quincha do Santafé, Mas nós sabemos porque é Que o vento xucro não pára: São suspiros da Jussara Chamando o índio Sepé! Amargo Jayme Caetano Braun Velha infusão gauchesca De topete levantado O porongo requeimado Que te serve de vazilha Tem o feitio da coxilha Por onde o guasca domina, E esse gosto de resina Que não é amargo nem doce É o beijo que desgarrou-se Dos lábios de alguma china! A velha bomba prateada Que atrás do cerro desponta Como uma lança de ponta Encravada no repecho Assim jogada ao desleixo Até parece que espera O retorno de algum cuera Esparramado do bando Que decerto anda peleando Nalgum rincão de tapera! Velho mate-chimarrão As vezes quando te chupo Eu sinto que me engarupo Bem sobre a anca da história, E repassando a memória Vejo tropilhas de um pêlo Selvagens em atropelo Entreverados na orgia Dos passes de bruxaria Quando o feiticeiro inculto Rezava o primeiro culto Da pampeana liturgia! Nessa lagoa parada Cheia de paus e de espuma Vão cruzando uma, por uma, Antepassadas visões Fandangos e marcações Entreveros e bochinchos Clarinadas e relinchos Por descampados e grotas, E quando tu te alvorotas No teu ronco anunciador Escuto ao longe o rumor De uma cordeona floreando E o vento norte assobiando Nos flecos do tirador! Sangue verde do meu pago Quando o teu gosto me invade Eu sinto necessidade De ver céu e campo aberto É algum mistério por certo Que arrebentando maneias Te faz corcovear nas veias Como se o sangue encarnado Verde tivesse voltado Do curador das peleias! Gaudéria essência charrua Do Rio Grande primitivo Chupo mais um, pra o estrivo E campo a fora me largo, Levando o teu gosto amargo Gravado em todo o meu ser, E um dia quando morrer, Deus me conceda esta graça De expirar entre a fumaça Do meu chimarrão querido Porque então irei ungido Com água benta da raça!!! CHIMARRÃO DO ESTRIVO por Jayme Caetano Braun Mate do estrivo bendito, Amargo que a gente chupa, Já de poncho na garupa Para a tropeada do mundo, Algum mistério profundo Te revirou do avesso, Porque és doce no começo E tão amargo no fundo! Quantas vezes te chupei Junto ao cavalo encilhado, Tendo a china no costado Tristonha na despedida, Sem pensar - velha bebida! - Que ao te golpear sem rebuços, Ia bebendo os soluços Daquela prenda querida! Velho mate carinhoso, Encilhado de erva mansa, Quando uma china te alcança, Olhando quieta pra gente, Deve pensar, certamente, Que depois de um beijo longo, O adeus é como o porongo Que fica frio de repente! Mil vezes te amanunciei, No pingo meio oitavado, Entre um pedido, um recado, De uma mana ou de uma prenda... Pois sempre alguém recomenda Quando a gente é meio novo Que não se meta em retovo Junto aos gaudérios da venda! E depois quando apartei-me Do Pago, campeando a sorte, Eu te chupei, mate forte, Bem junto do parapeito, E fui saindo, sem jeito, Dando rédeas ao gateado, Mas te guardarei bem cevado No porongo de meu peito! Decerto é por isso mesmo Que quando evoco a Querência Eu te sinto, com violência, Nas veias em atropelo, E até me ouriça o cabelo. Pois do meu ser primitivo, Aquele mate do estrivo Foi o último sinuelo! E ao bom Deus que é rio-grandense Sempre peço, enquanto vivo, Um chimarrão para o estrivo Quando chegar o meu fim. E se Ele quiser assim, Vá destacando uma china Que lá na Estância Divina Prepare o mate pra mim! CHIMARRÃO de Glaucus Saraiva Amargo doce que sorvo Num beijo em lábios de prata! Tens o perfume da mata molhada pelo sereno E a cuia, seio moreno que passa de mão em mão, traduz no meu chimarrão, em sua simplicidade, a velha hospitalidade da gente do meu rincão. Trazes à minha lembrança, nesse teu sabor selvagem, a mística beberragem do feiticeiro charrua o perfil da dança nua encravada na coxilha, apontando, firme, a trilha por onde rolou a História, empoeirada de glória da Tradição Farroupilha! Em teus últimos arrancos, no ronco do teu findar, ouço um potro corcovear na imensidão do pampa! E em minha mente se estampa, reboando dos confins, a voz febril de clarins repinicando: Avançar!… Então me fico a pensar, apertando o lábio assim, que o amargo está no fim, que a seiva forte que eu sinto, é o sangue de “35” que volta verde em mim!

domingo, 8 de julho de 2012

Prece para pedir a força de resistir a uma tentação

Introdução: Duas origens pode ter qualquer pensamento mau: a própria imperfeição de nossa alma, ou uma funesta influência que sobre ela se exerça. Neste último caso, há sempre indício de uma fraqueza que nos sujeita a receber essa influência; há, por conseguinte, indício de uma alma imperfeita. De sorte que aquele que venha a falir não poderá invocar por escusa a influência de um Espírito estranho, visto que esse Espírito não o teria arrastado ao mal, se o considerasse inacessível a sedução. Quando surge em nós um mau pensamento, podemos, pois, imaginar um Espírito maléfico a nos atrair para o mal, mas a cuja atração podemos ceder ou resistir, como se se tratara das solicitações de uma pessoa viva. Devemos, ao mesmo tempo, imaginar que, por seu lado, o nosso anjo guardião, ou Espírito protetor, combate em nós a má influência e espera com ansiedade a decisão que tomemos. A nossa hesitação em praticar o mal é a voz do Espírito bom, a se fazer ouvir pela nossa consciência. Reconhece-se que um pensamento é mau, quando se afasta da caridade, que constitui abase da verdadeira moral, quando tem por princípio o orgulho, a vaidade, ou o egoísmo; quando a sua realização pode causar qualquer prejuízo a outrem; quando, enfim, nos induz a fazer aos outros o que não quereríamos que nos fizessem. PRECE: DEUS TODO-PODEROSO, NÃO ME DEIXES SUCUMBIR À TENTAÇÃO QUE ME IMPELE A FALIR. ESPÍRITOS BENFAZEJOS, QUE ME PROTEGEIS, AFASTAI DE MIM ESTE MAU PENSAMENTO E DAI-ME A FORÇA DE RESISTIR À SUGESTÃO DO MAL. SE EU SUCUMBIR, MERECEREI EXPIAR A MINHA FALTA DESTA VIDA E NA OUTRA, PORQUE TENHO A LIBERDADE DE ESCOLHER. Texto extraído do "Evangelho segundo o Espiritismo" - 108 Ed. FEB - 1994

Prece para pedir a corrigenda de um defeito

INTRODUÇÃO: O s nossos maus instintos resultam da imperfeição do nosso próprio Espírito e não da nossa organização física; a não ser assim, o homem se acharia isento de toda espécie de responsabilidade.De nós depende a nossa melhoria, pois todo aquele que se acha no gozo de suas faculdades tem, como relação a todas as coisas, a liberdade de fazer ou não fazer. Para praticar o bem, de nada mais precisa senão do querer. PRECE: DESTE-ME, Ó DEUS, A INTELIGÊNCIA NECESSÁRIA PARA DISTINGUIR O QUE É BOM DO QUE É MAL. ORA, DO MOMENTO EM QUE RECONHEÇO QUE UMA COISA É MAL, TORNO-ME CULPADO, SE NÃO ME ESFORÇAR POR LHE RESISTIR. PRESERVA-ME DO ORGULHO QUE ME PODERIA IMPEDIR DE PERCEBER OS MEUS DEFEITOS E DOS MAUS ESPÍRITOS QUE ME POSSAM INCITAR A PERSEVERAR NELES. ENTRE AS MINHAS IMPERFEIÇÕES, RECONHEÇO QUE SOU PARTICULARMENTE PROPENSO A...; E, SE NÃO RESISTO A ESSE PENDOR, É PORQUE CONTRAÍ O HÁBITO DE A ELE CEDER. NÃO ME CRIASTE CULPADO, POIS QUE ÉS JUSTO, MAS COM IGUAL APTIDÃO PARA O BEM E PARA O MAL; SE TOMEI O MAU CAMINHO, FOI POR EFEITO DO MEU LIVRE-ARBÍTRIO. TODAVIA, PELA MESMA RAZÃO QUE TIVE A LIBERDADE E FAZER O MAL, TENHO A DEFAZER O BEM E, CONSEQUENTEMENTE, A DE MUDAR DE CAMINHO. MEUS ATUAIS DEFEITOS SÃO RESTOS DAS IMPERFEIÇÕES QUE CONSERVEI DAS MINHAS PRECEDENTES EXISTÊNCIAS; SÃO O MEU PECADO ORIGINAL, DE QUE ME POSSO LIBERTAR PELA AÇÃO DA MINHA VONTADE E COM A AJUDA DOS ESPÍRITOS BONS. BONS ESPÍRITOS, QUE ME PROTEGEIS, E SOBRETUDO TU, MEU ANJO DA GUARDA, DAI-ME FORÇAS PARA RESISTIR ÀS MÁS SUGESTÕES E PARA SAIR VITORIOSO DA LUTA. OS DEFEITOS SÃO BARREIRAS QUE NOS SEPARAM DE DEUS E CADA UM QUE EU SUPRIMA SERÁ UM PASSO DADO NA SENDA DO PROGRESSO QUE DELE ME HÁ DE APROXIMAR. O SENHOR, EM SUA INFINITA MISERICÓRDIA, HOUVE POR BEM CONCEDER-ME A EXISTÊNCIA ATUAL, PARA QUE SERVISSE AO MEU ADIANTAMENTO. BONS ESPÍRITOS, AJUDAI-ME A APROVEITÁ-LA, PARA QUE EU NÃO FIQUE PERDIDO E PARA QUE, QUANDO AO SENHOR APROUVER ME RETIRAR, EU DELA SAIA MELHOR DO QUE ENTREI. Texto extraído do "Evangelho segundo o Espiritismo" - 108 Ed. - FEB - 1994

Prece para afastar os maus espíritos

INTRODUÇÃO: Os maus Espíritos somente procuram os lugares onde encontrem possibilidades de dar expansão à sua perversidade. Para os afastar, não basta pedir-lhes, nem mesmo ordenar-lhes que se vão; é preciso que o homem elimine de si o que os atrai. Os Espíritos maus farejam as chagas da alma, como as moscas farejam as chagas do corpo. Assim como se limpa o corpo, para evitar a bicheira, também se deve limpar de suas impurezas a alma, para evitar os maus Espíritos. Vivendo num mundo onde pululam, nem sempre as boas qualidades do coração nos põem a salvo de suas tentativas; dão, entretanto forças para que lhes resistamos. PRECE: EM NOME DE DEUS TODO-PODEROSO, AFASTEM-SE DE MIM OS MAUS ESPÍRITOS, SERVINDO-ME OS BONS DE ANTEMURAL CONTRA ELES. ESPÍRITOS BENFAZEJOS, QUE INSPIRAIS MAUS PENSAMENTOS AOS HOMENS; ESPÍRITOS VELHACOS E MENTIROSOS, QUE OS ENGANAIS; ESPÍRITOS ZOMBETEIROS, QUE VOS DIVERTIS COM A CREDULIDADE DELES, EU VOS REPILO COM TODAS AS FORÇAS DE MINHA ALMA E FECHO OS OUVIDOS ÀS VOSSAS SUGESTÕES; MAS, IMPLORO PARA VÓS A MISERICÓRDIA DE DEUS. NONS ESPÍRITOS QUE VOS DIGNAIS DE ASSISTIR-ME, DAI-ME A FORÇA DE RESISTIR À INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS MAUS E AS LUZES DE QUE NECESSITO PARA NÃO SER VÍTIMA DE SUAS TRAMS. PRESERVAI-ME DO ORGULHO E DA PRESUNÇÃO; ISENTAI O MEU CORAÇÃO DO CIÚME, DO ÓDIO, DA MALEVOLÊNCIA, DE TODO SENTIMENTO CONTRÁRIO À CARIDADE, QUE SÃO OUTRAS TANTAS PORTAS ABERTAS AO ESPÍRITOS DO MAL. Texto extraído do Ëvangelho segundo o Espiritismo" 108 Ed. - FEB - 1994

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Ficha de Leitura

Livro "A Promessa da Política" de Hanna Arendt; Ed DIFEl; 2008 Capítulo: "SÓCRATES" Persuasão: arte política do discurso Dialética: arte do discurso filosófico "A principal distinção entre persuasão e dialética é que a primeira é sempre dirigida a multidão , ao passo que a dialética só é possível como diálogo entre duas pessoas". "Persuadir significava impor a própria opinião às múltiplas opiniões da multidão; persuadir não é, pois,o contrário de governar pela violência, mas outra forma de fazê-lo." "A palavra doxa significa não apenas opinião, mas também esplendor e forma". "Ter trazido um tema ao debate, ter falado sobre alguma coisa, a doxa de algum cidadão pareciam resultado suficiente". "...ver o mundo do ponto de vista do outro - é uma percepção política por excelência. Se quiséssemos definir, tradicionalmente, a virtude mais extraordinária do estadista, poderíamos dizer que ela consiste em compreender a maior quantidade e variedade possível de realidades - ...tal como elas se revelam às várias opiniões dos cidadãos; e, ao mmesmo tempo, em ser capaz de comunicar-se com os cidadãos e suas opiniões de modo a tornar visível o caráter comum deste mundo. O pré-requisito para que essa compreensão ocorresse sem a ajuda do estadista seria que cada cidadão fosse suficientemente articulado para mostrar a veracidade de sua opinioão e, consequentemente, compreender a de cada um de seus concidadãos. Sócrates parece ter acreditado que a função política do filósofo era ajudar a criar este tipo de mundo comum, construído sobre o entendimento da amizade, em que nenhuma governança é necessária." "...Apolo délfico...conhece a ti mesmo...É melhor estar em desacordo com o mundo inteiro do que, sendo um, estar em desacordo consigo mesmo." "...cada um de nós, sendo um, pode ao mesmo tempo falar consigo mesmo como se fosse dois. Sendo dois-em-um, pelo menos quando tento pensar, posso experimentar um amigo como um outro eu-mesmo." "Enquanto um, eu não entrarei em contradição comigo mesmo, mas posso me contradizer porque em pensamentosou dois-em-um; consequentemente, eu não vivo somente com os outros, mas também comigo mesmo. O medo da contradição é um componente do dividir-se, do já não ser um só, razão pela qual o axioma da contradição pode tornar-sea regra fundamental do pensamento." "Eu tenho de me suportar, e em nenhum lugar este eu-comigo-mesmo se reve-la mais claramente do que no pensamento puro, que é sempre um diálogo entre esses dois-em-um." "...é a companhia dos outros que, trazendo-me para fora do diálogodo pensamento, faz-me um novamente - um ser humano único e singular que fala com uma só voz e é reconhecidocomo tal para todos os outros." "... toda doxa depende da posição da pessoa no mundo e a ela corrempode." "...é o homem ao redor de quem coisas extraordinárias acontecem o tempo todo, ve-se em duplo conflito para com a polis."

Prece aos anjos guardiões e aos Espíritos protetores

INTRODUÇÃO: Todos temos, ligados a nós, desde o nosso nascimento, um Espírito bom, que nos tomou sob a sua proteção. Desempenha, junto de nós, a missão de um pai para com seu filho: a de nos conduzir pelo caminho de bem e do progresso, através das provações da vida. Sente-se feliz, quando correspondemos à sua solicitude; sofre quando nos vê sucumbir. Seu nome pouco importa, pois bem pode dar-se que não tenha nome conhecido na Terra. Invocamo-lo, então, como nosso anjo guardião, nosso bom gênio. Podemos mesmo invocá-lo sob o nome de qualquer Espírito superior, que mais viva e particular simpatia nos inspire. Além do anjo guardião, que é sempre um Espírito superior, temos Espíritos protetores que, embora, menos elevados, não são menos bons e magnânimos. Contamo-lo estes amigos, ou parentes, ou até, entre pessoas que não conhecemos na existência atual. Eles nos assistem com seus conselhos e, não raro, intervindo nos atos da nossa vida. Espíritos simpáticos são os que se nos ligam por uma certa analogia de gostos e pendores. Podem ser bons ou maus, conforme a natureza das inclinações nossas que os atraiam. Os Espíritos sedutores se esforçam por nos afastar das veredas do bem, segurindo-nos maus pensamentos. Aproveitam-se de todas as nossa fraquezas, como de outras tantas portas abertas, que lhes facultam acesso a nossa alma. Alguns há que se nos aferram, como a uma presa, mas que se afastam, em se reconhecendo impotentes para lutar contra a nossa vontade. DEUS, em o nosso anjo guardião, nos deu um guia principal e superior, nos Espíritos protetores e familiares, guias secundários. Fora erro, porém, acreditarmos que forçosamente,temos um mau gênio ao nosso lado, para contrabalançar as boas influências que sobre nós se exerçam. Os maus Espíritos acorrem voluntariamente,desde que achem meio de assumir predomínio sobre nós, ou pela nossa fraqueza, ou pela negligência que ponhamos em seguir as inspirações dos bons Espíritos. Somos nós, portanto, que os atraímos. Resulta deste fato que jamais nos encontramos privados da assistência dos bons Espíritos e que de nós depende o afastamento dos maus. Sendo, por suas imperfeições, a causa primária das misérias que o afligem, o homem é, as mais das vezes, o seu próprio mau gênio. A prece aos anjos guardiães e aos Espíritos protetores deve ter por objeto solicitar-lhes a intercessão junto de DEUS, pedir-lhes a força de resistir às más sugestões e que nos assistam nas contingências da vida. PRECE:ESPÍRTOS ESCLARECIDOS E BENEVOLENTES, MENSAGEIROS DE DEUS, QUE TENDES POR MISSÃO ASSISTIR OS HOMENS E CONDUZI-LOS PELO BOM CAMINHO, SUSTENTAI-ME NAS PROVAS DESTA VIDA; DAI-ME A FORÇA DE SUPORTÁ-LA SEM QUEIXUMES; LIVRAI-ME DOS MAUS PENSAMENTOS E FAZEI QUE EU NÃO DE ENTRADA A NENHUM MAU ESPÍRITO QUE QUEIRA INDUZIR-ME AO MAL. ESCLARECEI A MINHA CONSCIÊNCIA COM RELAÇÃO AOS MEUS DEFEITOS E TIRAI-ME DE SOBRE OS OLHOS O VÉU DO ORGULHO, CAPAZ DE IMPEDIR QUE EU PERCEBA E OS CONFESSE A MIM MESMO. A TI SOBRETUDO, MEU ANJO GUARDIÃO, QUE MAIS PARTICULARMENTE VELAS POR MIM, E A TODOS VÓS, ESPÍRITOS PROTETORES, QUE POR MIM VOS INTERESSAIS, PEÇO FAZERDES QUE ME TORNE DIGNO DA VOSSA PROTEÇÃO. CONHECEIS AS MINHAS NECESSIDADES; SEJAM ELAS ATENDIDAS, SEGUNDO A VONTADE DE DEUS. Texto extraído do "Evangelho segundo o Espiritismo"- Ed 108 - FEB - app4